Hospital desenvolve solução própria para registro da evolução do paciente à beira-leito

Hospital desenvolve solução própria para registro da evolução do paciente à beira-leito

Aplicativo permite inclusão de informações durante o atendimento do paciente em tempo real

O desafio de agilizar e tornar mais eficiente o registro da evolução dos pacientes internados levou a equipe de Tecnologia da Informação (TI) do Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF-RJ) a desenvolver um aplicativo inovador. Utilizado por meio de um tablet, a ferramenta está integrada ao sistema operacional utilizado no hospital e permite a inserção de informações sobre o acompanhamento dos pacientes no momento do atendimento, em tempo real. “Essa solução nasceu a partir da necessidade de criar formas mais práticas e otimizadas para que os profissionais de enfermagem pudessem cumprir com suas funções. Faz parte da rotina registrar a evolução do paciente no prontuário, mas havia uma grande burocracia para isso. Nós vimos que era preciso mudar o processo para que o profissional resolvesse mais facilmente as questões burocráticas e pudesse, então, se dedicar a dar mais atenção ao paciente à beira-leito”, explica a gerente de enfermagem do HSF, Michelle Estefânio.

A novidade representa um avanço importante na modernização da assistência, de acordo com o diretor executivo Márcio Nunes: “Esse projeto é resultado de uma escuta atenta às necessidades da equipe de enfermagem. Nosso objetivo com o desenvolvimento dessa nova plataforma foi justamente simplificar processos sem abrir mão da segurança e da qualidade das informações. Investir em tecnologia que esteja a serviço do cuidado é investir também no bem-estar do paciente e na valorização de quem está na linha de frente todos os dias”.
Como funciona?

O aplicativo permite o registro direto, de forma dinâmica, intuitiva e em tempo real, de parâmetros como sinais vitais, administração de medicamentos e balanço hídrico do paciente no prontuário eletrônico. Além disso, traz campos estruturados com checkboxes e textos pré-formatados para as evoluções de enfermagem, o que reduz significativamente o tempo de digitação sem comprometer a qualidade dos dados exigidos por normas do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), auditorias e demandas legais. “O programa permite não apenas o registro de informações do paciente por escrito, mas também por imagens: a câmera do tablet é acionada para confirmar o uso dos medicamentos prescritos a cada paciente”, salienta Pietro Lima, desenvolvedor do setor de TI do HSF.

“Queremos valorizar o trabalho dos nossos profissionais com ferramentas que tornem o cuidado mais humano e menos burocrático”, revela Michelle. Inicialmente, a novidade está sendo utilizada em uma Unidade de Terapia Intensiva, que reúne pacientes crônicos e de alta complexidade. “Em seguida, a ideia é levar esta tecnologia gradualmente para outros setores do hospital, promovendo um novo padrão de registro mais próximo, ágil e centrado no paciente”, adianta ela.

HSF promove exposição aberta ao público para homenagear o Papa Francisco

HSF promove exposição aberta ao público para homenagear o Papa Francisco

Objetos que foram utilizados pelo Papa Francisco durante sua visita ao Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF), no dia 24 de julho de 2013, fazem parte da exposição criada para homenagear o Pontífice. A abertura da mostra, no dia 13 de maio, teve missa celebrada ao ar livre para saudação ao novo Papa Leão XIV e em sufrágio ao Papa Francisco, exatamente no local onde ele deu uma bênção na ocasião de sua visita. “A celebração de sufrágio é um momento de oração e um ato de amor onde pedimos pela purificação e a vida eterna. Por isso, conclamamos a todos que se comungam das mesmas ideias de Francisco a fazermos uma corrente de oração por sua alma”, explica Frei Nicolau Castro, diretor geral do Hospital.

“Buscamos fazer esta nossa singela homenagem ao Santo Padre durante o período de luto decretado pelo Vaticano, de forma a mostrar que entre nós, a presença do Papa Francisco é extremamente forte. Temos diversas peças, como uma imagem de Nossa Senhora do Loreto, que foi um presente que recebemos do Papa Francisco e outras, como a capa de chuva que ele usou no dia da visita para se proteger do temporal que caiu na cidade, o trono em que ele sentou para presidir a cerimônia na Praça aqui do hospital e que foi batizada com o nome dele e o aspersório que ele manuseou no dia, só para citar algumas”, adianta Frei Nicolau.

Na visita ao HSF, o Papa inaugurou o Polo de Atenção Integral à Saúde Mental Papa Francisco (PAI), um centro de acolhimento e cuidado humanizado para pacientes psiquiátricos e pessoas com dependência de substâncias químicas. “Ao longo destes mais de 12 anos de funcionamento, o nosso PAI já recebeu e ajudou a mais de 11 mil pacientes e seus familiares e amigos, pois sabemos que os transtornos mentais afetam não só quem está em sofrimento, mas todas que estão à sua volta”, afirma o Frei.

Outra marca importante da visita do Papa foi o chamado à Amazônia e a criação dos barcos-hospitais que hoje são uma marca da atuação da Associação Lar de São Francisco de Assis na Providência de Deus, instituição que administra o Hospital. Em um encontro com o Frei Francisco Belotti, fundador nato da Associação, o Santo Padre perguntou “Vocês estão na Amazônia?”, e quando ouviu a negativa, acrescentou: “Então, vocês devem ir”. A partir desta convocação, a Associação assumiu a criação e gestão de dois hospitais no estado do Pará, em Óbidos e em Juriti. E logo o Frei Francisco, percebendo a dificuldade das populações ribeirinhas chegarem aos hospitais, decidiu levar os cuidados até os necessitados, por meio da criação dos barcos-hospitais. O primeiro foi inaugurado em agosto de 2019 e, claro, batizado com o nome do idealizador daquela ação: Barco Hospital Papa Francisco. Em setembro do mesmo ano, foi inaugurado o segundo Barco Hospital, batizado em homenagem ao Papa João Paulo II.

“O chamado da nossa Associação à Amazônia também estará na exposição, com um painel especialmente projetado para registrar esta bela história e que traz ainda imagens inesquecíveis da visita do Papa ao nosso Hospital e deste encontro tão feliz e abençoado”, revela Márcio Nunes, diretor executivo do HSF.

O acervo do Papa Francisco ficará em exposição até que seja transferido para o Centro de Memória do Hospital São Francisco, que tem previsão de abertura no segundo semestre deste ano.

Pneumonia leva famosos a serem internados para tratamento

Pneumonia leva famosos a serem internados para tratamento

Recentemente, diversos famosos vieram a público esclarecer sobre o problema de saúde que os levou a internação em hospitais: quadros graves de pneumonia, doença que por vezes pode evoluir sem sintomas específicos, o que atrasa o início do tratamento. A nossa pneumologista-chefe, Camilla Miranda, explica que o período que vai de março a julho tem maior incidência de gripe sazonal, que varia de acordo com o clima e o sistema imune de cada indivíduo.

“A gripe pode se tornar uma ameaça significativa para a saúde pública, resultando em hospitalizações e até mesmo mortes. A complicação de uma gripe pode acarretar em riscos, principalmente para idosos e crianças”, afirma a médica, que é membro da Sociedade Brasileira de Pneumologia. Ela complementa que tais quadros gripais, dependendo do agente etiológico e do estado do sistema de defesa do paciente, podem evoluir como pneumonia e derrame pleural (líquido acumulado nas pleuras, que são como o revestimento do pulmão e a caixa torácica).

O tratamento da pneumonia varia de acordo com o agente causador. Podem ser administrados antibióticos para combater infecções bacterianas e antivirais, se for em decorrência de Influenza ou Covid. “Há ainda, inclusive, a possibilidade do uso de antifúngicos, em um contexto de infecções mais raras que tenham outro agente causador”, destaca a especialista. O tratamento inclui ainda cuidados quanto aos sintomas, como a falta de ar, com medicamentos inalatórios. “Pode haver necessidade de associação de terapia sistêmica para a compensação clínica do paciente. Importante frisar que o tratamento sempre é individualizado, de acordo com um protocolo em que nos baseamos na causa da pneumonia, nos sintomas e nas possíveis complicações. A prevenção pode ser feita, antes da exposição, com a manutenção das vacinas sempre atualizadas”, reforça ela, que também é membro da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).

Curso sobre suicidologia e segurança pública reúne profissionais de saúde das forças de segurança do estado e município do Rio de Janeiro

Curso sobre suicidologia e segurança pública reúne profissionais de saúde das forças de segurança do estado e município do Rio de Janeiro

Capacitação inédita é fruto da parceria do Hospital São Francisco com o MPT-RJ e integra o programa de assistência à saúde mental dos agentes de segurança pública

“O suicídio é 17ª causa de morte em geral. É um absurdo que a gente não esteja morrendo de doença. A biologia avançou muito. Houve um grande enriquecimento das tecnologias que cuidam da vida, do corpo, mas as questões humanas, sociais, físicas e mentais continuam a ser um grande problema para nós”. A frase foi proferida pela professora e socióloga, pesquisadora emérita da Fundação Oswaldo Cruz e autora de mais de uma dezena de livros, entre eles, ‘Missão Prevenir e Proteger: condições de vida, trabalho e saúde dos policiais militares do Rio de Janeiro’, Maria Cecília de Souza Minayo, em sua aula magna, na abertura do curso de aperfeiçoamento em Suicidologia e Segurança Pública, oferecido pelo Hospital São Francisco na Providência de Deus (HFS-RJ) e o Ministério Público do Trabalho (MPT-RJ). Ela apresentou um panorama completo do suicídio em todo o mundo e ressaltou que um terço das mortes não ocorreriam se não houvesse tantos suicídios.

O curso, que tem coordenação acadêmica da socióloga e pesquisadora Dayse Miranda, fundadora do Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio (IPPES), e duração de um ano, faz parte do programa de assistência à saúde mental dos agentes de segurança pública do MPT-RJ com objetivo de capacitar profissionais de saúde da área da segurança para lidar com situações de estresse dos agentes e realizar intervenções diante do sofrimento psíquico das tropas.

Policial civil da ativa e coordenadora do Programa Segurança que Previne, desenvolvido pelo IPPES, Meire Cristine de Souza, celebrou o início das atividades acadêmicas. “Eu sou militante em prol da saúde dos agentes de segurança há algum tempo e fico feliz com toda essa integração. O curso tem a marca do ineditismo, dentro do contexto que une a academia e a área médica, o que é muito importante, porque valida todos os nossos ensinamentos e as nossas pesquisas e aprimora cada vez mais as ações de prevenção”, pontuou.

De acordo com o Boletim IPPES Brasil 2024, mais de 820 profissionais da segurança pública da ativa perderam a vida no Brasil, sendo 759 por suicídio e 62 por homicídios/feminicídios seguido de suicídio nos últimos seis anos. “Esses dados sinalizam a gravidade do problema e a urgência por ações estratégicas de prevenção e pósvenção de suicídio na Segurança Pública do Estado e do Município do Rio de Janeiro”, ressalta a professora Dayse.

Formam a primeira turma do curso 90 profissionais de saúde da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), Departamento Geral de Ações Socioeducativas (DEGASE), Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), Guarda Municipal (GM-RIO) e das demais instituições parceiras do Programa de Assistência Ampla e Integrada à Saúde Mental e Valorização dos Agentes de Segurança Pública do Estado e Município do Rio de Janeiro, desenvolvido pelas procuradoras do MPT-RJ Cynthia Maria Simões Lopes e Samira Torres Shaat. Cynthia ressaltou que o projeto passa pela técnica,mas com o compromisso com a dor do outro. “Isso é desafiador e ao mesmo tempo nos faz crescer”, afirmou. Samira frisou que o curso foi idealizado com muita atenção e cuidado. “E com um objetivo: deixar um legado que é a contribuição de um plano de intervenção de prevenção e pósvenção em suicídio. É muito importante lidar com essa complexidade que estamos enfrentando”.

Entre os alunos, a expectativa é grande. “Os policiais militares constituem um público de risco e a própria instituição tem procurado incentivar programas de prevenção e estudar o tema. Esse curso vem nessa direção de capacitar os profissionais e ter um olhar da instituição mais voltado para essa questão, tendo em vista a prevenção dos riscos e agravos de saúde”, destacou a assistente social da PMRJ, Vânia Lima Cardoso. A policial penal da SEAP e psicóloga Moseli Leite falou sobre a dificuldade em tratar problemas relacionados à saúde mental dentro das forças de segurança: “O profissional busca ser um super herói e acaba olhando para si próprio. É preciso mudar essa mentalidade de que o ‘guarda’ é inatingível e não fica doente. Procurar ajuda, perceber que precisa de ajuda é muito distante da nossa realidade, então eu estou muito animada porque este estudo vai melhorar muito a lidar com essa questão”.

O psicólogo Noel Fernandes Garcia, da coordenadoria de valorização do servidor da Guarda Municipal do Rio de Janeiro, já atua pela melhora da qualidade de vida não só dos servidores, mas também dos familiares. Esse curso vai nos enriquecer e agregar valores e conhecimentos para que possamos atender melhor esse grupo de pessoas. O suicídio deve ser levado muito mais a sério do que está sendo e esse curso é excepcional para isso. Estamos muito felizes de participar”. O comissário de Polícia Civil e psicólogo Cleber Matos, criou uma metáfora para dar conta da sua expectativa: “Imagina aquele rio parado. Alguém joga uma pedrinha e gera uma onda. É em cima desta onda que eu quero me colocar. Eu não quero o epicentro. Eu quero atingir as margens, os meus colegas que estão lá fora são essas margens e eu quero atingí-los”.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
SB Comunicação – jor@sbcomunicacao.com.br

Força-tarefa faz hospital do Rio atingir 1.500 cirurgias realizadas bariátricas pelo SUS

Força-tarefa faz hospital do Rio atingir 1.500 cirurgias realizadas bariátricas pelo SUS

“A cirurgia bariátrica não é um milagre e sim uma ferramenta para a mudança do estilo de vida e para priorizar a saúde do meu corpo”, afirma a especialista em gestão de negócios e finanças, Ludmyla de Oliveira, 35 anos e 136 kg. Ela e outros 14 pacientes com obesidade terão a chance de virar a chave e conquistar a chance de viver com mais saúde nos dias 21 e 22, em uma força-tarefa da equipe do Programa ESTAR, voltado para a realização de cirurgias bariátricas e metabólicas pelo SUS no nosso hospital, fruto de uma parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro. Perto de completar 3 anos de funcionamento no HSF, o Programa irá alcançar, durante a ação, a marca de 1.500 cirurgias realizadas na unidade. Para comemorar o sucesso do serviço, no dia 23, domingo, das 9h às 11h, foi realizado um aulão de ginástica, com atividades especialmente desenvolvidas pelos educadores físicos da equipe ESTAR para os pacientes em tratamento de obesidade.

A mobilização dos cirurgiões do Programa é parte de uma grande ação realizada também em São Paulo e Recife, com o objetivo de chamar a atenção para a luta contra a obesidade e que conta com o apoio da Medtronic. “Fico feliz em participar, mais uma vez, deste movimento que marca o Dia Internacional de Luta Contra a Obesidade. Não se trata de uma comemoração, mas sim um alerta para a comunidade médica e, principalmente, para população de que a obesidade é uma doença, o que muita gente desconhece. E é ainda um fator de risco para outras, como diabetes tipo 2, cirrose, as cardiovasculares, hipertensão, acidente vascular cerebral e diversas formas de câncer. É preciso que as pessoas saibam que quanto mais precocemente procurarem ajuda de um especialista, melhor para a saúde”, orienta o cirurgião Fernando de Barros, que coordena o serviço para pacientes do SUS no HSF.

O especialista conta que recebe muitos pacientes com obesidade em estágio avançado, mas que eles não chegaram a esse ponto de uma hora para outra. “Essas pessoas não foram orientadas ou incentivadas a buscar tratamento precocemente. E, hoje, o melhor tratamento que temos para a obesidade é a cirurgia bariátrica e metabólica, para melhorar a qualidade de vida do paciente de forma significativa. Com ela, não combatemos apenas o acúmulo de gordura corporal, mas também as doenças crônicas, o que ajuda a reduzir o número de internações e complicações por doenças cardiovasculares e outros problemas, como cirrose, hemodiálise, amputação, cegueira, artrose, hérnia de disco, por exemplo”, ressalta o especialista, que é professor adjunto do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal Fluminense.

Experiência de sucesso

Foi em busca de mais saúde e de melhor qualidade de vida que Ludmila entrou para o Programa em novembro passado e começou a se preparar para a cirurgia. “Decidi que precisava dizer não para algumas coisas e enfrentar a obesidade como uma doença, já que queria viver mais”, diz ela, que além de sentir dores no corpo, estava diabética e hipertensa. Isa Caetano, 59 anos, foi outra que sofria com a hipertensão, artrose nos joelhos e estava pré-diabética. “Era difícil andar, eu não podia mais fazer caminhada, tinha dificuldades para subir escadas e descer era pior ainda. Estava difícil andar de ônibus sozinha porque eu tinha medo de cair ao saltar. Agora, depois da cirurgia, faço tudo isso com tranquilidade e também estou fazendo musculação, por orientação da equipe médica”, relata. Isa entrou no programa com 98 kg. Operada em fevereiro de 2024, ela atualmente pesa 62 kg.

O diretor geral do HSF, Frei Nicolau Castro, festeja as inúmeras histórias de superação e conquista de qualidade de vida dos pacientes que passaram pela transformação que a cirurgia bariátrica e metabólica representa. “São muitos relatos emocionantes de pacientes que não conseguiam realizar tarefas simples, do dia a dia sem ajuda e que no pós-cirurgia retomaram o controle de suas vidas. É com muita alegria e responsabilidade que empenhamos esforços para transformar vidas”.

Oficina de teatro estimula pacientes psiquiátricos a expressarem sentimentos e emoções

Oficina de teatro estimula pacientes psiquiátricos a expressarem sentimentos e emoções

Aula inaugural contou com palestra do ator Pedro Carvalho, que compartilhou experiências relacionadas à saúde mental com pacientes

Arte faz bem à saúde. E isso não é apenas força de expressão. Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou que as artes ajudam não só a melhorar a saúde mental como também a física, além de ajudarem a compreender e comunicar conceitos e emoções. Pensando nisso, o Polo de Atenção Integral à Saúde Mental Papa Francisco (PAI) do Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF-RJ) deu início a um novo programa dentro do plano terapêutico dos pacientes psiquiátricos internados na unidade: a oficina de teatro, com encontros semanais e a participação de profissionais da área que serão convidados a compartilhar experiências do meio artístico e orientar atividades com os alunos. “Quando nossa equipe multidisciplinar pensou nas aulas de teatro não era na intenção de promover montagens ou encenações. Nosso objetivo é criar um espaço onde os pacientes se sintam seguros para se expressar e possam desenvolver habilidades para que possam interagir melhor uns com os outros. Sobretudo, que possam mostrar quem são por trás dos transtornos que os levaram até ali”, lembra a gerente do Polo de saúde mental do HSF, Michelle Estefânio.

O pontapé inicial da programação de encontros da oficina de teatro teve um convidado muito especial: o ator Pedro Carvalho, que viveu o personagem Rui Sodré na novela Fuzuê, da TV Globo. Ele encontrou uma brecha entre seus compromissos profissionais para uma conversa franca e aberta. “Eu não sou diferente de vocês que se encontram aqui em tratamento. Também tenho minhas questões com saúde mental e faço terapia. Posso dizer que o teatro me salvou, porque eu era muito tímido e a arte me ajuda a manter a minha saúde mental”, contou ele aos participantes da oficina, que aproveitaram cada momento com o ator e fizeram diversas perguntas sobre a experiência dele e o método de criação. “Pessoas que têm questões relacionadas à saúde mental, na maioria das vezes, são muito criativas e precisam canalizar essa arte. Eu, além de atuar desde criança, também sou artista plástico e gosto muito de pintura”, afirmou.

Os encontros semanais estão sob a responsabilidade do Frei Benedito Renner e da supervisora de atendimento Iasmin Gonçalves, que integram a Pastoral da Saúde do HSF. “Queremos que os pacientes possam, através da arte, construir relações pessoais, além de passar por um processo profundo de autoconhecimento que poderá ajudá-los no tratamento a que estão submetidos”, revela o Frei Benedito.

Já as atividades teatrais serão comandadas pelo fundador do Cia. Teatral Milongas, o ator Breno Sanches. Formado em Arte Cênicas (Direção Teatral) pela UNIRIO. Breno já participou de diversas novelas como A Dona do Pedaço, Malhação e A Força do Querer, da Rede Globo. “Desde o primeiro momento em que visitei o hospital, eu fiquei muito bem impressionado com a quantidade de atividades propostas aos pacientes psiquiátricos. Dentro dessa dinâmica, as aulas de teatro são uma atividade realmente importante porque o teatro tem uma dinâmica de jogo e de interação onde a pessoa que está em cena se propõe a se abrir, se expor, de se expressar de outras maneiras, colocar para fora emoções e tensões para poder rever, inclusive questões próprias. Um espaço seguro, sem opressão, onde eles podem se expressar de forma espontânea e artística”, pontua ele.

Atendimento especializado

O PAI oferece atendimento psiquiátrico e multidisciplinar a pessoas com transtornos mentais e por uso de drogas, em casos em que haja necessidade de internação e cuidados integrais, como quando há ideação suicida ou o paciente representa risco para ele próprio ou para outras pessoas. O Polo conta com uma equipe de médicos psiquiatras e clínicos exclusivos para o serviço. Possui ainda psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistente social, nutricionista, educador físico e equipe de enfermagem especializada. E ainda conta com uma emergência em Psiquiatria 24 horas. Além da nova oficina de teatro, os pacientes internados participam de oficinas terapêuticas de pintura e artesanato e de confecção de bijuterias, além de cuidar da horta.