Jornada Multidisciplinar reúne especialistas para discutir os desafios da disfagia sarcopênica

Jornada Multidisciplinar reúne especialistas para discutir os desafios da disfagia sarcopênica

O Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF-RJ), na Tijuca, promove, no dia 22 de julho, a Jornada Multiprofissional sobre Disfagia Sarcopênica, voltada a fonoaudiólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, enfermeiros, médicos, técnicos e estudantes das áreas da saúde. O objetivo é ampliar o conhecimento dos profissionais dessas áreas sobre a condição ainda pouco discutida, mas cada vez mais presente na prática clínica, caracterizada pela dificuldade de deglutição decorrente da perda de massa e força muscular. “Estudos recentes mostram que a perda de massa e força muscular pode comprometer diretamente a musculatura responsável pela deglutição, aumentando o risco de broncoaspiração, desnutrição, pneumonia aspirativa, prolongamento da internação e outros desfechos desfavoráveis”, destaca Andressa Silva, coordenadora de Nutrição e de Fonoaudiologia do hospital.

De acordo com ela, a realização deste evento científico fortalece a prática baseada em evidências, estimula a atualização dos profissionais e favorece a implementação de protocolos assistenciais mais eficazes. “A disfagia sarcopênica representa um desafio crescente para os serviços de saúde, exigindo reconhecimento precoce e atuação integrada de diferentes especialidades. O diagnóstico e a intervenção oportunos contribuem para a redução de complicações, melhoria da recuperação funcional, aumento da segurança do paciente e melhor qualidade de vida”, afirma.

A programação reunirá especialistas com ampla experiência clínica, acadêmica e científica nas áreas de disfagia, sarcopenia e reabilitação hospitalar. A fonoaudióloga Fátima Lago, que é membro da Comissão Permanente de Cuidados Paliativos da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, irá abordar os aspectos referentes à avaliação e cuidados para a reabilitação fonoaudiológica. A mestre em nutrição clínica e membro do Comitê de Assistência Domiciliar da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE), Nara Lopes, vai falar sobre a importância da terapia nutricional. A fisioterapeuta Marjori Duarte irá apresentar a palestra sobre Função Muscular e Deglutição e a estomaterapeuta especialista em Terapia Nutricional pela SBNPE, Karla Gomes, vai abordar as Boas Práticas para Prevenção da Broncoaspiração. Ao final do ciclo de palestras, será realizada uma mesa redonda com as especialistas.

Mais do que promover atualização técnico-científica, a atividade pretende estimular a educação permanente e fortalecer o trabalho em equipe, com foco na segurança dos pacientes, como ressalta o diretor geral do HSF, Frei Carlos Burdini. “A Jornada Multidisciplinar é uma oportunidade para troca de experiências e fortalecimento de uma assistência cada vez mais qualificada e centrada no paciente”, salienta.
O evento é uma realização do Hospital São Francisco na Providência de Deus, uma das unidades da Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, e conta com o patrocínio de Nutritiva Produtos Nutricionais e Fresenius Medical Care. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link: https://encurtador.com.br/BboJ. O HSF fica na Rua Conde de Bonfim, 1.033, na Tijuca.

Programação Jornada Multidisciplinar Disfagia Sarcopênica

Dia 22 de julho

14h10 às 14h40
Painel 1 – “Da Sarcopenia à Disfagia: Avaliação, Cuidados e Reabilitação Fonoaudiológica”, com Fátima Lago, Pós-graduada em Cuidados Paliativos e em Gestão em Gerontologia. Membro da Comissão Permanente de Cuidados Paliativos da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Membro da Sociedade Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral (SBNPE).

14h40 às 15h10
Painel 2 – “Cuidado da Terapia Nutricional na Disfagia Sarcopênica”, com Nara Lopes, Mestre em Nutrição Clínica pela UFRJ e especialista em Terapia Nutricional Parenteral e Enteral pela pela SBNPE. Membro do Comitê de Assistência Domiciliar da SBNPE.

15h10 às 15h40
Painel 3 – “Função Muscular e Deglutição: A Contribuição da Fisioterapia na Recuperação do Paciente”, com Marjori Duarte, Fisioterapeuta Especialista em Fisioterapia Intensiva. Pós-graduada em Fisioterapia cervicocraniomandibular.

15h40 às 16h10
Painel 4 – “Boas Práticas para Prevenção da Broncoaspiração”, com Karla Gomes, Estomaterapeuta Especialista em Terapia Nutricional pela SBNPE. Membro do Comitê Educacional da SBNPE.

16h10 às 17h
Mesa Redonda com todas as palestrantes.

 

Missa e homenagens marcam os 15 anos da gestão franciscana no Hospital São Francisco na Providência de Deus

Missa e homenagens marcam os 15 anos da gestão franciscana no Hospital São Francisco na Providência de Deus

Médicos, colaboradores, pacientes e religiosos se reuniram, no último sábado de março no Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF-RJ), para celebrar os 15 anos de sua nova gestão e da parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS), que hoje é responsável por mais de 60% dos atendimentos na unidade de saúde. O ponto alto foi a missa em Ação de Graças, presidida pelo Cardeal Arcebispo da Cidade do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, que relembrou o início da gestão da Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus (ALSF) à frente do antigo Hospital da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência (VOT), por indicação dele. ”E hoje celebramos 15 anos do dia em que Frei Francisco Belotti e a Fraternidade entraram aqui para servir à comunidade carioca neste hospital. Vejo reunidos médicos, enfermeiros, funcionários, amigos, aqui nesta praça que recebeu o Papa Francisco, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude”, relembrou o Cardeal. O religioso também apontou que foi em sua visita ao hospital que o Papa Francisco pediu que a missão dos franciscanos chegasse à Amazônia: “E aí começou todo o trabalho com os barcos-hospitais, que hoje são três, e as ‘ambulanchas’ que atendem as populações ribeirinhas nos estados do Amazonas e Pará”. 

O diretor geral do HSF, Frei Carlos Burdini, destacou que a história do Hospital remonta a mais de 400 anos. “Aqui na Tijuca o hospital foi oficialmente inaugurado em 1933. Mas ele começou bem antes, no coração da Ordem Franciscana Secular em 1619, quando chegaram os dois primeiros leigos franciscanos ao Rio de Janeiro. Próximo ao Convento de Santo Antônio, se inicia a história concreta do Hospital da Venerável Ordem Terceira. Por cerca de 150 anos, o hospital permaneceu atendendo as pessoas naquele endereço, mas, por conta da reorganização do Centro da cidade do Rio, o hospital mudou para a Tijuca. E em 2011 começou a nossa trajetória quando Dom Orani convidou o Frei Francisco a aceitar esse desafio, ressaltando que os franciscanos já cuidavam de hospitais em outros lugares. E hoje estamos festejando 15 anos da nossa gestão neste incrível hospital, uma referência na história de assistência à saúde no Rio de Janeiro”. 

Alguns números expressam a grandiosidade do trabalho neste período: mais de 50 mil atendimentos em saúde mental no Polo de Atenção Integral à Saúde Mental, serviço inaugurado pelo Papa Francisco em 2013, cerca de 2 mil cirurgias bariátricas, mais de 14 mil procedimentos cardíacos e mais de 3.600 transplantes renais e hepáticos, marca alcançada em 13 anos da criação do serviço e que levou o HSF a se tornar referência em transplantes no Estado do Rio de Janeiro e no Brasil. 

A paciente Taciane Ferreira, que passou por um transplante renal há um ano e 4 meses, compartilhou sua experiência: “Tive diversos problemas de saúde e cheguei à nefrologia em 2015, com apenas 15% de função renal. Em 2019 eu descobri um tumor no pâncreas, em 2022 ele recidivou. Fiz uma grande cirurgia: não tenho vesícula, nem duodeno e tirei metade do pâncreas. Saí, depois de 123 dias internada, tendo passado por duas intubações, direto para a hemodiálise que me sustentou por 2 anos e 8 meses, até que eu entrei na lista de transplante. Depois de seis meses eu recebi a graça de uma doação. A família do meu doador me devolveu a vida. Eu nunca deixei de fazer as minhas coisas e trabalhar, mas desde que eu recebi o meu ‘rimzão’, como eu o chamo, posso dizer que eu tenho saúde. Sigo todas as orientações da equipe de nefrologia. E, para mim, a Dra. Deise (de Boni, coordenadora do serviço de transplantes renais) é a personificação do lema do HSF: ‘Ser humano é a nossa missão’. Eu agradeço, em nome de todos os pacientes, a todas as pessoas que fazem parte do dia a dia do hospital, vocês são uma graça na vida de cada paciente”.

Cuidados há gerações 

O HSF guarda histórias de família e reúne gerações diferentes tanto entre pacientes como no corpo clínico. Um dos exemplos está no serviço de Urologia, chefiado pelo médico Paulo Costa Leite, que tem em sua equipe de especialistas o seu filho, André Costa Leite. O pai está no HSF há 57 anos e é o médico mais antigo do hospital. “O espírito franciscano que encontramos aqui é muito importante para a gente. Eu tive aqui a minha formação médica e a formação como ser humano. E isso rendeu frutos. Meu filho, André, já está aqui há mais de 20 anos. Ao longo dos 15 anos dessa gestão, houve uma transformação muito grande da filosofia do hospital. Os atendimentos pelo SUS ganharam muita força e são serviços espetaculares”. Para André, seguir os passos do pai é fonte de alegria e gratidão. “Eu venho aqui desde que eu era pequeno, acompanhando o meu pai quando ele vinha passar visita e jogava bola na pracinha. Esse hospital é a minha segunda casa e eu espero poder ficar aqui por 57 anos ou mais, como o meu pai. Fico feliz de trabalhar com ele todo dia”.

Parcerias

Representando a equipe do RJ Transplantes, Marcello Rodrigues Freitas, assessor da coordenação, destacou a longa parceria entre a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ): “o Hospital São Francisco é um dos grandes parceiros que temos, tem números que o colocam entre os maiores transplantadores do país. É uma parceria muito importante, pela qual temos grande carinho. Não só pelo histórico, mas também pelo que virá nos próximos 15 anos”, adiantou.

Uma das parcerias mais recentes e extremamente importante do HSF nessa trajetória é com a Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), que acaba de conquistar habilitação oficial do Governo Federal para a criação de seu curso de graduação em Medicina, viabilizado pela existência de parcerias com hospitais, entre eles o convênio firmado com o HSF. O professor e decano da PUC-Rio, Hilton Koch, que foi diretor da Escola Médica de Pós-Graduação da Universidade entre 2000 e 2004, lembrou que a colaboração entre as instituições começou há tempos, em especialidades como Geriatria e transplantes de órgãos. “Mas para termos uma graduação em Medicina, precisávamos de um hospital de referência, que passou a ser exatamente esse. Dom Orani foi o intermediário entre os jesuítas e os franciscanos. Eu, particularmente, que estou na PUC há 50 anos, sou muito grato ao HSF pelo acolhimento”.

Simpósio de Fonoaudiologia do Hospital São Francisco na Providência de Deus destaca a relevante atuação multidisciplinar no restabelecimento integral do paciente

Simpósio de Fonoaudiologia do Hospital São Francisco na Providência de Deus destaca a relevante atuação multidisciplinar no restabelecimento integral do paciente

O I Simpósio de Fonoaudiologia realizado pelo Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF-RJ) no dia 3 de dezembro foi um marco para a área responsável pela comunicação humana (fala, voz, audição, linguagem e deglutição) ao destacar a importância da atuação multidisciplinar profissional para o restabelecimento da saúde do paciente. Além da programação científica, composta por renomados fonoaudiólogos com especialização e vasta experiência, a iniciativa promoveu o diálogo e o networking entre fonoaudiólogos, médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e estudantes de Fonoaudiologia. A programação do evento despertou o interesse dos profissionais e estudantes, gerando mais de 160 inscrições.

Para a coordenadora de Nutrição e de Fonoaudiologia do HSF, Andressa Silva, o trabalho dedicado da comissão organizadora foi fundamental para superar o desafio de  realizar a primeira edição do evento. Ela destaca que a iniciativa atendeu as expectativas ao buscar fortalecer o trabalho multidisciplinar do fonoaudiólogo em várias fases da vida do paciente – neonatal, vida adulta e terceira idade –, com destaque para a abordagem científica, a humanização e segurança do paciente. 

A fonoaudióloga Taiana Menezes, integrante da equipe responsável pelo evento, ressalta que o encontro atingiu o objetivo de promover o diálogo sobre a importância da Fonoaudiologia Hospitalar.  “O dia do fonoaudiólogo, celebrado 9 de dezembro, não poderia ser melhor festejado, pois o evento, além de promover a atualização científica com apresentação de casos clínicos, diagnósticos de tecnologia de ponta e tratamentos individualizados,  é uma iniciativa que corrobora para a valorização e união da categoria. Afinal, atuamos desde o primeiro choro de um bebê no neonatal, bem como na reabilitação oral e deglutição do paciente em diversas patologias ”, ressalta. 

Dando início a programação do evento, a pesquisadora em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Adriana Rocha, apresentou a palestra ‘Intervenções fonoaudiológicas no neonato crítico’, salientando a importância da abordagem do profissional na avaliação neonatal do bebê, que deve ser ampliada, ou seja, além da análise clínica da boca ou língua, mas de forma completa e individualizada. Com pós-doutorado em Saúde da Criança pela Fiocruz, a especialista ressaltou ainda a necessidade de o profissional utilizar evidências científicas como instrumento para atingir reconhecimento cada vez mais sólido dentro de uma equipe multidisciplinar, no âmbito clínico hospitalar. “As técnicas são muito relevantes, porém é determinante verificar se a técnica ou protocolo é ideal para cada bebê. Nessa abordagem, o melhor atendimento preconiza oferecer ao paciente o tratamento individualizado. Para tanto, o profissional precisa estar atualizado para aplicar as técnicas mais adequadas ao quadro clínico de cada bebê. Uma avaliação mal feita pode colocar em risco a vida do paciente. O trabalho terapêutico inadequado de um fonoaudiólogo pode levar o bebê a óbito”, ressalta a pesquisadora.

Já a mestre em Saúde Perinatal pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Débora Montalvão, focou na importância do diagnóstico precoce e manejo da anquiloglossia (língua presa), alteração estrutural que pode trazer impactos funcionais como desmame precoce, alterações na respiração, mastigação e fala e qualidade de vida.  Durante a sua explanação, ela fez um alerta: “o teste da língua é lei, ou seja, um direito de todo cidadão em busca do diagnóstico precoce.  As famílias devem ter acesso ao teste e na avaliação multidisciplinar é imprescindível a participação do fonoaudiólogo na equipe para o diagnóstico.”  A palestrante discorreu ainda sobre as principais intervenções fonoaudiológicas, antes e após a frenectomia, procedimento cirúrgico para correção da língua presa. “Antes da cirurgia é fundamental a escuta qualificada, o acolhimento, a avaliação anatomofuncional e a avaliação das funções orais. Após o procedimento cirúrgico, deve ser adotado o planejamento terapêutico individualizado como objetivo de reabilitar as funções orais”, complementa.

Karine Meirelles, especialista em Fonoaudiologia Hospitalar e Disfagia, falou sobre adaptações de dieta na disfagia no paciente em cuidados paliativos. Com pós-graduação em Neurociências e Comportamento Humano, ela fez uma reflexão sobre a dieta do paciente nessa condição. “O paciente ainda pode viver através da alimentação modulada dia após dia, englobando ajuste de textura, viscosidade ou na forma de oferta alimentar, para evitar desconfortos e eventos respiratórios e mantê-lo confortável para engolir e comer sem sofrimento, mas também permitir que ele tenha escolha alimentar, pois as condições de conforto, dignidade e autonomia resgatam a memória afetiva com o alimento. O papel do fonoaudiólogo é garantir que os riscos sejam identificados e manejados, permitindo ao paciente o engolir de maneira correta, mas com prazer e segurança. A alimentação não é apenas um procedimento técnico, mas parte integrante da biografia do paciente”, assegura.

A programação científica do evento contou ainda com a palestra sobre aplicação de neuromodulação como fator coadjuvante na reabilitação dos distúrbios linguístico-cognitivos, ministrada pela fonoaudióloga Débora Salles, que acumula sólida formação em neurociências e neuromodulação, além de ser pesquisadora do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. Já o professor universitário do curso de graduação em Fonoaudiologia da UFRJ, Charles Marques foi o responsável pela explanação que trouxe a tona o conceito inovador do exame de imagem videofluoroscopia, no qual é permitido criar um vídeo em tempo real da deglutição, garantindo um diagnóstico mais preciso e completo no tratamento da disfagia, que está relacionada a condições de fundo neurológico, mecânico, inflamatório ou psicológico. A finalização do evento foi concluída com a participação efetiva da fonoaudióloga do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Christiane Gouvêa, que abordou em sua palestra uma visão prática e objetiva do trabalho terapêutico do profissional de fonoaudiologia, na avaliação, prevenção e reabilitação da oratória, deglutição e mastigação no tratamento do paciente oncológico.

Para o diretor geral do HSF, Frei Nicolau Castro, a realização desse primeiro simpósio mostra o quanto a instituição está comprometida em oferecer o melhor tratamento ao paciente. “Essa troca de experiências e vivências é fundamental para que os profissionais envolvidos se sintam impelidos a oferecer um cuidado cada vez mais humano e sensível”, conclui.

Hospital São Francisco promove I Simpósio de Fonoaudiologia, com foco no cuidado integral e interdisciplinar

Hospital São Francisco promove I Simpósio de Fonoaudiologia, com foco no cuidado integral e interdisciplinar

O Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF-RJ) realiza no próximo dia 3, quarta-feira, o I Simpósio de Fonoaudiologia, com palestras de especialistas convidados. A programação é gratuita e voltada a estudantes de Fonoaudiologia, fonoaudiólogos, médicos, enfermeiros, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicólogos e demais profissionais da área da saúde e foi criada para celebrar o dia do fonoaudiólogo, comemorado em 9 de dezembro. “Este é um evento que vai além da atualização científica. Queremos criar um espaço de escuta, de reflexão e de troca entre profissionais dedicados a cuidar de pessoas ao longo de toda a vida. Nossa proposta é destacar o papel essencial da fonoaudiologia em momentos sensíveis da existência humana, do primeiro choro de um bebê até a reabilitação de alguém que perdeu a voz e a recuperação da deglutição de um paciente fragilizado”, adianta Andressa Silva, coordenadora de Nutrição e de Fonoaudiologia do HSF. 

A fonoaudióloga Taiana Menezes, uma das organizadoras do simpósio, explica que a programação foi construída a partir da escuta atenta das necessidades reais dos pacientes, do dia a dia da equipe e das questões que a prática clínica apresenta. “Os temas abordam desde avaliações complexas e desafios do ambiente assistencial até métodos diagnósticos modernos, sempre com foco em segurança, Ciência e humanização do cuidado. A escolha dos conteúdos também reflete o compromisso de valorizar a atuação dos fonoaudiólogos, profissionais que acompanham histórias e trajetórias, e não apenas sintomas”, destaca.

A programação científica começa às 9h, com o painel ‘Intervenções fonoaudiológicas no neonato crítico’, que será apresentado pela pesquisadora em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, Adriana Rocha, que possui pós-doutorado em Saúde da Criança pela Fundação Oswaldo Cruz. Às 10h, a mestre em Saúde Perinatal pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Débora Montalvão, que atua como fonoaudióloga do Hospital Infantil Ismelia da Silveira, vai abordar ‘Diagnóstico e manejo da anquiloglossia: intervenções fonoaudiológicas antes e após frenectomia’.

A fonoaudióloga e paliativista Fátima Lago, que é membro da Comissão Técnica de Cuidados Paliativos da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), irá falar sobre as adaptações de dieta na disfagia no paciente em cuidados paliativos. A aplicação de neuromodulação como coadjuvante na reabilitação dos distúrbios linguístico-cognitivos é o tema da fonoaudióloga Débora Salles, que tem formação em neurociências e neuromodulação e é pesquisadora do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. O professor do curso de graduação em Fonoaudiologia, Charles Marques, irá apresentar o painel sobre videofluoroscopia. Encerrando a programação, Christiane Gouvêa, que é fonoaudióloga do Instituto Nacional de Câncer (INCA), irá apresentar uma visão prática da abordagem do profissional de fonoaudiologia ao paciente oncológico.

Para o diretor geral do HSF, Frei Nicolau Castro, a realização do simpósio fortalece o olhar interdisciplinar. “Essa troca de experiências e vivências é fundamental para que os profissionais envolvidos se sintam impelidos a oferecer um cuidado cada vez mais humano e sensível. Quando falamos de fonoaudiologia, estamos tratando não apenas da comunicação, que é a primeira referência que vem à cabeça, mas também sobre alimentação e bem-estar, ou seja, da própria dignidade dos pacientes”, conclui. 

O Hospital São Francisco na Providência de Deus fica na Rua Conde de Bonfim, 1033, na Tijuca. As inscrições para o evento são gratuitas e podem ser feitas pelo link: https://www.sympla.com.br/evento/i-simposio-de-fonoaudiologia-do-hospital-sao-francisco-na-providencia-de-deus/3215448.  

 

Serviço:

I SIMPÓSIO DE FONOAUDIOLOGIA DO HSF

Dia 03/12/2025

Programação: 

8h às 8h30 – Credenciamento

8h30 às 9h – Abertura

9h às 10h | PAINEL 1 – Intervenções fonoaudiológicas no neonato crítico, com Adriana Rocha (Pesquisadora em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz na área de Fonoaudiologia Neonatal. Possui pós-doutorado em Saúde da Criança pela Fundação Oswaldo Cruz. Mestre e Doutora em Ciências pela Fundação Oswaldo Cruz. Especialista em Pesquisa Clínica. Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Pesquisa Aplicada à Saúde da Criança e da Mulher e atua nas linhas de pesquisa da área de Saúde Perinatal e da área da Saúde de Mulher)

10h às 10h45 | PAINEL 2 – Diagnóstico e Manejo da anquiloglossia: Intervenções fonoaudiológicas antes e após frenectomia, com Débora Montalvão (Mestre em Saúde Perinatal – ME/UFRJ. Especialista em Disfagia e Fonoaudiologia Hospitalar – CFF. Especialista em Atenção Integral à Saúde Materno-Infantil – ME/UFRJ. Fonoaudióloga do Hospital Infantil Ismélia da Silveira)

10h45 às 11h15 – Coffee-break

11h15 às 12h | PAINEL 3 – Adaptações de dieta na disfagia no paciente em cuidados paliativos: Entre segurança e prazer alimentar,  com Fátima Lago (Fonoaudióloga – Coordenadora de reabilitação do Hospital Placi – Botafogo. Paliativista. Membro da Comissão Técnica de Cuidados Paliativos da SBGG)

12h às 13h30 – Intervalo para almoço

13h30 às 14h30 | PAINEL 4 – Neuromodulação como estratégia coadjuvante na reabilitação dos distúrbios linguístico-cognitivos, com Débora Salles (Fonoaudióloga com formação em neurociências e neuromodulação. Pós-Doutorado, Doutorado e Mestrado em Neurologia pela UNIRIO. Pesquisadora do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle – UNIRIO.)

14h30 às 15h30 | PAINEL 5 – Videofluoroscopia: o Método além da deglutição, com Charles Marques (Fonoaudiólogo da SMS-RJ, professor do curso de graduação em fonoaudiologia – UFRJ. Mestre e Doutor em Ciências [concentração neurologia e gastroenterologia)

15h30 às 16h30 | PAINEL 6 – Abordagem do fonoaudiólogo no paciente oncológico: uma visão prática do especialista, com Christiane Gouvêa (Fonoaudióloga do INCA. Doutora em bioética, ética aplicada e saúde coletiva pela ENSP/FIOCRUZ)

Os desafios da alta segura e da transição do cuidado foram destaques do 3º Simpósio de Desospitalização do Hospital São Francisco – RJ

Os desafios da alta segura e da transição do cuidado foram destaques do 3º Simpósio de Desospitalização do Hospital São Francisco – RJ

Os desafios da alta hospitalar segura, a transição do cuidado e o uso de novas tecnologias para o telemonitoramento e acompanhamento domiciliar à distância foram alguns dos temas abordados no III Simpósio de Desospitalização – do hospital ao lar, estratégias para uma transição segura e humanizada, promovido este mês no Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF-RJ). Voltado a profissionais da área da saúde, o evento reuniu médicos, auditores médicos, profissionais de Enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos clínicos, pesquisadores da área da saúde, gestores e coordenadores hospitalares e equipes de programas de unidades de transição de cuidados e de atenção domiciliar. “Elaboramos uma programação que englobou aspectos técnicos, humanos, operacionais e tecnológicos envolvidos no processo da alta segura, de forma a garantir uma visão abrangente e realista dos desafios e soluções possíveis para esta questão. Acreditamos que a troca de experiências e de conhecimentos têm extrema importância não somente para nossos colaboradores, mas para todos os profissionais que acompanharam a programação”, salienta Márcio Nunes, diretor executivo do HSF.

O pesquisador do Laboratório de Engenharia de Software Aplicada em Saúde da PUC-Rio, Antônio Benchimol, destacou os benefícios do uso da tecnologia a serviço do cuidado. “Contrariando a ideia de que a tecnologia afasta, o telemonitoramento, quando bem implementado, tem o poder de aproximar. Ele cria uma ponte contínua entre o paciente e a equipe de saúde, ampliando a presença do cuidado mesmo à distância”, afirmou. Ele apresentou o telemonitoramento como ferramenta estratégica para ampliar o alcance da assistência médica e garantir um cuidado mais contínuo e humanizado, especialmente para pacientes com doenças crônicas. Ao permitir o acompanhamento remoto por meio de dispositivos conectados, a prática reduz reinternações, melhora a adesão ao tratamento e oferece mais conforto e segurança. Segundo ele, “ética e tecnologia precisam caminhar juntas. A digitalização do cuidado não pode reduzir o humano a um dado — o dado é apenas um meio. A finalidade continua sendo o bem-estar do paciente”.

A mesa redonda ‘Os desafios de uma desospitalização segura nos diferentes pontos de vista – Operadoras de Saúde e Rede Hospitalar Credenciada’ reuniu representantes de operadoras de saúde e de serviços médicos. O painel destacou a tendência mundial de ampliar o cuidado para além do ambiente hospitalar, tornando-o mais eficiente, seguro e centrado no paciente. Modelos como o hospital em casa, terapias domiciliares supervisionadas e o telemonitoramento foram apontados como alternativas que reduzem custos, liberam leitos e melhoram a qualidade de vida. Os palestrantes também ressaltaram o papel da tecnologia na consolidação da desospitalização, com inovações em medicamentos e suporte ao paciente, além do monitoramento em tempo real.

O diretor técnico da FioSaúde, Arthur Monteiro Bastos, falou sobre a importância de ampliar o cuidado para além do ambiente hospitalar. Ele explicou que a desospitalização consiste em transferir, de forma segura e planejada, os cuidados de saúde para o domicílio, ambulatório ou comunidade, garantindo continuidade assistencial e evitando internações desnecessárias. Entre os principais desafios para a implementação, destacou a necessidade de melhorar a infraestrutura, vencer a resistência cultural, integrar melhor os serviços e adequar a legislação e cobertura dos planos. “Ainda existe uma cultura hospitalocêntrica. Precisamos entender que o cuidado pode e deve acontecer também fora do hospital, com segurança e qualidade”, declarou.

Rodrigo Teixeira, gerente regional da MedSênior no Rio de Janeiro, abordou o tema ‘Mundo real: dificuldade na desospitalização’. Ele ressaltou a resistência de familiares em levar o paciente para casa, a necessidade de profissionais capacitados para o atendimento domiciliar e a disponibilidade de equipamentos e medicamentos adequados. Segundo o especialista, definir o tempo ideal de permanência no hospital e promover o trabalho conjunto entre equipes são fatores essenciais para garantir uma desospitalização segura e eficaz.

Para a gerente de Enfermagem do HSF, Michelle Estefânio, o sucesso desse processo depende do tempo e da integração entre as equipes. “A desospitalização precisa acontecer no momento certo — nem antes, nem depois. Mas isso só é possível com o envolvimento de uma equipe multidisciplinar, em que cada profissional contribui com seu olhar técnico e humano. Essa integração é o que garante que o cuidado continue com qualidade, mesmo fora do hospital”.

A discussão sobre o que acontece após a alta hospitalar foi conduzida pela equipe multidisciplinar da Solar Cuidados e Serviços em Saúde. A psicóloga e gerente da Qualidade da empresa, Katya Almeida, reforçou a necessidade de enxergar a alta hospitalar como o início de uma nova fase do cuidado. Segundo ela, o termo ‘desospitalização’ surgiu como resposta à necessidade de humanizar a atenção em saúde e integrar os diferentes níveis de cuidado, garantindo a continuidade da assistência fora do ambiente hospitalar. Ela explicou que a desospitalização segura é um processo planejado e executado de forma multidisciplinar, que requer avaliação criteriosa das condições clínicas do paciente, disponibilidade de recursos familiares e comunitários e uma rede de apoio bem estruturada. “A alta não é o fim do tratamento. É uma transição que precisa ser acompanhada de forma responsável para evitar riscos, complicações e readmissões”, destacou.

Katya apontou os principais fatores de sucesso para a desospitalização segura, como a adequação da solicitação médica, a avaliação qualificada do paciente, a comunicação clara entre equipe e família e o apoio psicossocial. “Cuidar do paciente é também cuidar de quem cuida dele. A desospitalização é um compromisso coletivo com a segurança e o bem-estar”, concluiu.

A assistente social Marcella Costa trouxe uma visão prática e sensível sobre o papel do Serviço Social na atenção domiciliar e na transição do paciente do hospital para casa. Para ela, a atenção domiciliar é o início de uma nova etapa, onde a casa se transforma em um espaço de tratamento, acolhimento e dignidade. “Nosso papel é garantir que essa transição seja segura, humanizada e centrada nas reais necessidades do paciente e da família”.