Médicos, colaboradores, pacientes e religiosos se reuniram, no último sábado de março no Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF-RJ), para celebrar os 15 anos de sua nova gestão e da parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS), que hoje é responsável por mais de 60% dos atendimentos na unidade de saúde. O ponto alto foi a missa em Ação de Graças, presidida pelo Cardeal Arcebispo da Cidade do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, que relembrou o início da gestão da Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus (ALSF) à frente do antigo Hospital da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência (VOT), por indicação dele. ”E hoje celebramos 15 anos do dia em que Frei Francisco Belotti e a Fraternidade entraram aqui para servir à comunidade carioca neste hospital. Vejo reunidos médicos, enfermeiros, funcionários, amigos, aqui nesta praça que recebeu o Papa Francisco, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude”, relembrou o Cardeal. O religioso também apontou que foi em sua visita ao hospital que o Papa Francisco pediu que a missão dos franciscanos chegasse à Amazônia: “E aí começou todo o trabalho com os barcos-hospitais, que hoje são três, e as ‘ambulanchas’ que atendem as populações ribeirinhas nos estados do Amazonas e Pará”.
O diretor geral do HSF, Frei Carlos Burdini, destacou que a história do Hospital remonta a mais de 400 anos. “Aqui na Tijuca o hospital foi oficialmente inaugurado em 1933. Mas ele começou bem antes, no coração da Ordem Franciscana Secular em 1619, quando chegaram os dois primeiros leigos franciscanos ao Rio de Janeiro. Próximo ao Convento de Santo Antônio, se inicia a história concreta do Hospital da Venerável Ordem Terceira. Por cerca de 150 anos, o hospital permaneceu atendendo as pessoas naquele endereço, mas, por conta da reorganização do Centro da cidade do Rio, o hospital mudou para a Tijuca. E em 2011 começou a nossa trajetória quando Dom Orani convidou o Frei Francisco a aceitar esse desafio, ressaltando que os franciscanos já cuidavam de hospitais em outros lugares. E hoje estamos festejando 15 anos da nossa gestão neste incrível hospital, uma referência na história de assistência à saúde no Rio de Janeiro”.
Alguns números expressam a grandiosidade do trabalho neste período: mais de 50 mil atendimentos em saúde mental no Polo de Atenção Integral à Saúde Mental, serviço inaugurado pelo Papa Francisco em 2013, cerca de 2 mil cirurgias bariátricas, mais de 14 mil procedimentos cardíacos e mais de 3.600 transplantes renais e hepáticos, marca alcançada em 13 anos da criação do serviço e que levou o HSF a se tornar referência em transplantes no Estado do Rio de Janeiro e no Brasil.
A paciente Taciane Ferreira, que passou por um transplante renal há um ano e 4 meses, compartilhou sua experiência: “Tive diversos problemas de saúde e cheguei à nefrologia em 2015, com apenas 15% de função renal. Em 2019 eu descobri um tumor no pâncreas, em 2022 ele recidivou. Fiz uma grande cirurgia: não tenho vesícula, nem duodeno e tirei metade do pâncreas. Saí, depois de 123 dias internada, tendo passado por duas intubações, direto para a hemodiálise que me sustentou por 2 anos e 8 meses, até que eu entrei na lista de transplante. Depois de seis meses eu recebi a graça de uma doação. A família do meu doador me devolveu a vida. Eu nunca deixei de fazer as minhas coisas e trabalhar, mas desde que eu recebi o meu ‘rimzão’, como eu o chamo, posso dizer que eu tenho saúde. Sigo todas as orientações da equipe de nefrologia. E, para mim, a Dra. Deise (de Boni, coordenadora do serviço de transplantes renais) é a personificação do lema do HSF: ‘Ser humano é a nossa missão’. Eu agradeço, em nome de todos os pacientes, a todas as pessoas que fazem parte do dia a dia do hospital, vocês são uma graça na vida de cada paciente”.
Cuidados há gerações
O HSF guarda histórias de família e reúne gerações diferentes tanto entre pacientes como no corpo clínico. Um dos exemplos está no serviço de Urologia, chefiado pelo médico Paulo Costa Leite, que tem em sua equipe de especialistas o seu filho, André Costa Leite. O pai está no HSF há 57 anos e é o médico mais antigo do hospital. “O espírito franciscano que encontramos aqui é muito importante para a gente. Eu tive aqui a minha formação médica e a formação como ser humano. E isso rendeu frutos. Meu filho, André, já está aqui há mais de 20 anos. Ao longo dos 15 anos dessa gestão, houve uma transformação muito grande da filosofia do hospital. Os atendimentos pelo SUS ganharam muita força e são serviços espetaculares”. Para André, seguir os passos do pai é fonte de alegria e gratidão. “Eu venho aqui desde que eu era pequeno, acompanhando o meu pai quando ele vinha passar visita e jogava bola na pracinha. Esse hospital é a minha segunda casa e eu espero poder ficar aqui por 57 anos ou mais, como o meu pai. Fico feliz de trabalhar com ele todo dia”.
Parcerias
Representando a equipe do RJ Transplantes, Marcello Rodrigues Freitas, assessor da coordenação, destacou a longa parceria entre a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ): “o Hospital São Francisco é um dos grandes parceiros que temos, tem números que o colocam entre os maiores transplantadores do país. É uma parceria muito importante, pela qual temos grande carinho. Não só pelo histórico, mas também pelo que virá nos próximos 15 anos”, adiantou.
Uma das parcerias mais recentes e extremamente importante do HSF nessa trajetória é com a Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), que acaba de conquistar habilitação oficial do Governo Federal para a criação de seu curso de graduação em Medicina, viabilizado pela existência de parcerias com hospitais, entre eles o convênio firmado com o HSF. O professor e decano da PUC-Rio, Hilton Koch, que foi diretor da Escola Médica de Pós-Graduação da Universidade entre 2000 e 2004, lembrou que a colaboração entre as instituições começou há tempos, em especialidades como Geriatria e transplantes de órgãos. “Mas para termos uma graduação em Medicina, precisávamos de um hospital de referência, que passou a ser exatamente esse. Dom Orani foi o intermediário entre os jesuítas e os franciscanos. Eu, particularmente, que estou na PUC há 50 anos, sou muito grato ao HSF pelo acolhimento”.





