O I Simpósio de Fonoaudiologia realizado pelo Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF-RJ) no dia 3 de dezembro foi um marco para a área responsável pela comunicação humana (fala, voz, audição, linguagem e deglutição) ao destacar a importância da atuação multidisciplinar profissional para o restabelecimento da saúde do paciente. Além da programação científica, composta por renomados fonoaudiólogos com especialização e vasta experiência, a iniciativa promoveu o diálogo e o networking entre fonoaudiólogos, médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e estudantes de Fonoaudiologia. A programação do evento despertou o interesse dos profissionais e estudantes, gerando mais de 160 inscrições.
Para a coordenadora de Nutrição e de Fonoaudiologia do HSF, Andressa Silva, o trabalho dedicado da comissão organizadora foi fundamental para superar o desafio de realizar a primeira edição do evento. Ela destaca que a iniciativa atendeu as expectativas ao buscar fortalecer o trabalho multidisciplinar do fonoaudiólogo em várias fases da vida do paciente – neonatal, vida adulta e terceira idade –, com destaque para a abordagem científica, a humanização e segurança do paciente.
A fonoaudióloga Taiana Menezes, integrante da equipe responsável pelo evento, ressalta que o encontro atingiu o objetivo de promover o diálogo sobre a importância da Fonoaudiologia Hospitalar. “O dia do fonoaudiólogo, celebrado 9 de dezembro, não poderia ser melhor festejado, pois o evento, além de promover a atualização científica com apresentação de casos clínicos, diagnósticos de tecnologia de ponta e tratamentos individualizados, é uma iniciativa que corrobora para a valorização e união da categoria. Afinal, atuamos desde o primeiro choro de um bebê no neonatal, bem como na reabilitação oral e deglutição do paciente em diversas patologias ”, ressalta.
Dando início a programação do evento, a pesquisadora em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Adriana Rocha, apresentou a palestra ‘Intervenções fonoaudiológicas no neonato crítico’, salientando a importância da abordagem do profissional na avaliação neonatal do bebê, que deve ser ampliada, ou seja, além da análise clínica da boca ou língua, mas de forma completa e individualizada. Com pós-doutorado em Saúde da Criança pela Fiocruz, a especialista ressaltou ainda a necessidade de o profissional utilizar evidências científicas como instrumento para atingir reconhecimento cada vez mais sólido dentro de uma equipe multidisciplinar, no âmbito clínico hospitalar. “As técnicas são muito relevantes, porém é determinante verificar se a técnica ou protocolo é ideal para cada bebê. Nessa abordagem, o melhor atendimento preconiza oferecer ao paciente o tratamento individualizado. Para tanto, o profissional precisa estar atualizado para aplicar as técnicas mais adequadas ao quadro clínico de cada bebê. Uma avaliação mal feita pode colocar em risco a vida do paciente. O trabalho terapêutico inadequado de um fonoaudiólogo pode levar o bebê a óbito”, ressalta a pesquisadora.
Já a mestre em Saúde Perinatal pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Débora Montalvão, focou na importância do diagnóstico precoce e manejo da anquiloglossia (língua presa), alteração estrutural que pode trazer impactos funcionais como desmame precoce, alterações na respiração, mastigação e fala e qualidade de vida. Durante a sua explanação, ela fez um alerta: “o teste da língua é lei, ou seja, um direito de todo cidadão em busca do diagnóstico precoce. As famílias devem ter acesso ao teste e na avaliação multidisciplinar é imprescindível a participação do fonoaudiólogo na equipe para o diagnóstico.” A palestrante discorreu ainda sobre as principais intervenções fonoaudiológicas, antes e após a frenectomia, procedimento cirúrgico para correção da língua presa. “Antes da cirurgia é fundamental a escuta qualificada, o acolhimento, a avaliação anatomofuncional e a avaliação das funções orais. Após o procedimento cirúrgico, deve ser adotado o planejamento terapêutico individualizado como objetivo de reabilitar as funções orais”, complementa.
Karine Meirelles, especialista em Fonoaudiologia Hospitalar e Disfagia, falou sobre adaptações de dieta na disfagia no paciente em cuidados paliativos. Com pós-graduação em Neurociências e Comportamento Humano, ela fez uma reflexão sobre a dieta do paciente nessa condição. “O paciente ainda pode viver através da alimentação modulada dia após dia, englobando ajuste de textura, viscosidade ou na forma de oferta alimentar, para evitar desconfortos e eventos respiratórios e mantê-lo confortável para engolir e comer sem sofrimento, mas também permitir que ele tenha escolha alimentar, pois as condições de conforto, dignidade e autonomia resgatam a memória afetiva com o alimento. O papel do fonoaudiólogo é garantir que os riscos sejam identificados e manejados, permitindo ao paciente o engolir de maneira correta, mas com prazer e segurança. A alimentação não é apenas um procedimento técnico, mas parte integrante da biografia do paciente”, assegura.
A programação científica do evento contou ainda com a palestra sobre aplicação de neuromodulação como fator coadjuvante na reabilitação dos distúrbios linguístico-cognitivos, ministrada pela fonoaudióloga Débora Salles, que acumula sólida formação em neurociências e neuromodulação, além de ser pesquisadora do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. Já o professor universitário do curso de graduação em Fonoaudiologia da UFRJ, Charles Marques foi o responsável pela explanação que trouxe a tona o conceito inovador do exame de imagem videofluoroscopia, no qual é permitido criar um vídeo em tempo real da deglutição, garantindo um diagnóstico mais preciso e completo no tratamento da disfagia, que está relacionada a condições de fundo neurológico, mecânico, inflamatório ou psicológico. A finalização do evento foi concluída com a participação efetiva da fonoaudióloga do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Christiane Gouvêa, que abordou em sua palestra uma visão prática e objetiva do trabalho terapêutico do profissional de fonoaudiologia, na avaliação, prevenção e reabilitação da oratória, deglutição e mastigação no tratamento do paciente oncológico.
Para o diretor geral do HSF, Frei Nicolau Castro, a realização desse primeiro simpósio mostra o quanto a instituição está comprometida em oferecer o melhor tratamento ao paciente. “Essa troca de experiências e vivências é fundamental para que os profissionais envolvidos se sintam impelidos a oferecer um cuidado cada vez mais humano e sensível”, conclui.
